quarta-feira, 10 de julho de 2019

QUANTO TEMPO DURA UMA VIDA?


Vidas vão-se embora: acidentes, crimes, doenças, causas essas que se subdividem em uma infinidade de outras. Algumas partidas chocam mais: se era pessoa conhecida, se era criança ou jovem, famoso, bonito, rico… A depender dos valores de quem olha e sente, veem-se pessoas chorando por quem nunca viu antes e em cuja homenagem oferecem flores e dedicatórias as mais emotivas, como são vistos outros que se mantêm distantes mesmo diante da partida daqueles que lhes foram bem próximos.

A mídia contribui e pode influenciar com a forma como se lida com a vida e com a morte. Tanto é assim que há aqueles que juram que não mais assistem a jornais, mas ainda me pergunto como fazem essas pessoas nas conversas com vizinhos quando desavisadamente, como deve acontecer nesses momentos, alguém noticia o que não se queria ouvir. Ou, ainda, ao acessar-se a internet, mesmo que seja rigorosamente para cuidar de trabalho e temas afins, aparecem os pop-up, assaltando os espaços da tela e convidando o usuário ao desassossego e à dor. Há, porém, o outro lado, menos desconfortável talvez, porque este tem mais a ver com a vida ou com a forma como se encontra para sobreviver, pois é justamente o convívio diário com toda a avalanche de notícias de morte, provocando a banalização do tema e, quase sempre, a indiferença a ele correspondente, que faz com que nos protejamos da dureza que é enfrentar a perda de vidas queridas.

Entretanto, em algum lugar, ignorando os manuais de uma vida feliz e bem-sucedida, há o imponderável, algo que vaza, escorregando por um canal invisível até chegar ao fundo do nosso pensamento ou, como alguns entendem, do coração. Creio que uma das formas mais intensas de se amar é ficar muito feliz ou extremamente triste diante da alegria ou da infelicidade do outro. E assim tem sido. E por ora têm chegado a mim, mais do que as minhas pobres dores, as dores alheias, de tal modo a formar uma amálgama que me impossibilita saber onde estão os limites de uma ou de outra. Tenho amado muito e não sofrido menos.

Mas é o amor que também, dia desses, poderá me surpreender, fazendo-me muito alegre. Que nesse momento eu saiba desfrutar, sem medo ou culpa, o prazer que é sentir-se bem, não importando se a motivação pertence a mim ou a outros. Serei eu, então, por algum tempo, o arauto que anuncia a vida e, com a capacidade de uma brisa suave e constante, farei com que notícias boas sejam espalhadas por todos os cantos, de modo que uma semente de esperança seja depositada no coração dos que choram. Dessa semente, um dia virão os frutos e, assim, a vida durará para sempre.

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